EUA x China: “Todos os países vão perder”, afirma Rubens Barbosa

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Experiente diplomata brasileiro, com passagem pelo Itamaraty e nas embaixadas do Londres e Washington, Rubens Barbosa comentou sobre a disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Rubens também é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (ABITRIGO) e foi entrevistado ao programa Liderança Agro.

“As medidas restritivas dos EUA afetam US$ 250 bi em produtos chineses, e as da China afetam US$ 115 bi em produtos americanos”, destaca o especialista.

Para ele, esta disputa comercial pode, ainda, criar uma confrontação que pode crescer, principalmente a médio e longo prazo.

Consequências

“Por agora, o Brasil deve se beneficiar da rivalidade entre os dois países”, explica Barbosa. “E pode ter um efeito maior se a China deixar de comprar soja dos EUA”.

No entanto, para ele, “em médio e longo prazo, todos os países vão perder. A economia global vai desacelerar, e o comércio vai cair”.

Para Rubens Barbosa, as propostas de isolamento dos EUA criam uma situação negativa em relação aos organismos internacionais, que regulamentam as relações entre os países.

Até a Organização Mundial do Comércio (OMC), importante órgão para solução de controvérsias entre países, pode ter sua efetividade ameaçada, graças às políticas adotadas por Donald Trump.

“Pode-se haver inclusive a ressuscitação de uma guerra fria. Não no sentido do passado, com a União Soviética, mas em outros termos”.

Com isso, outros países podem ser forçados a tomarem posição de um lado ou de outro da disputa, o que pode trazer consequências ruins.

“O Brasil não tem cacife para bancar nenhuma posição de alinhamento, seja com um país ou com o outro. Em guerra que a gente não pode ganhar, a gente não deve entrar”.

Futuro

O futuro para o Brasil, no entanto, é promissor, para Rubens Barbosa. O diplomata lembra que nas últimas décadas, o País foi liderado por governos de centro, centro-esquerda, esquerda e extrema esquerda.

“Agora, temos assumidamente um governo de direita. Liberal em termos econômicos e conservador em termos de costumes, com ideias novas”.

Mas para ele, a democracia é que precisa ser exercida plenamente. “Com debates de ideias, e não confrontação”.

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