O IBGE vai avançando no Censo Agropecuário que ficará pronto ainda em 2018, trabalho essencial para a definição de políticas públicas voltadas para o setor rural e o agronegócio.

De fato, o último Censo foi realizado em 2006 e muita coisa mudou nos últimos 12 anos no campo.

Mesmo o trabalho da academia ou das entidades de classe em defesa dos produtores será mais efetivo quando soubermos a realidade atual, especialmente no que diz respeito a dois fatores centrais para a definição da competitividade: as inovações em tecnologia e as mudanças na gestão das fazendas e das cooperativas.

Alguns números mostram a impressionante transformação desde 2006 até hoje.

A área plantada com grãos, por exemplo, cresceu 32%, enquanto sua produção aumentou 81%. A produção de carnes cresceu 25%, com ênfase para a de frangos, com um salto de 42%.

A venda de fertilizantes subiu 53% e a área de florestas plantadas saiu de 5,7 milhões de hectares em 2006 para 7,8 milhões em 2016, um salto de 36%, e aumentando. As exportações do agronegócio subiram 72% nos 10 anos (2006 a 2016).

O VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) saltou de 302,58 bilhões de reais para 529,21 bilhões, 75% a mais. E o PIB da agropecuária segundo o CEPEA cresceu 78%, de 253 bilhões em 2006 para 450 bi em 2016 (números todos deflacionados).

Com o Censo saberemos como isso tudo foi feito, por quem (pequenos, médios, grandes), quando, com que sustentabilidade.

No entanto, independente dos seus resultados, já existem informações sobre a “nova” dinâmica do agronegócio brasileiro, como as contidas na Sétima Pesquisa sobre os Hábitos do Produtor Rural realizada no final do ano passado pela ABMRA – Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio.

Este interessantíssimo trabalho teve por objetivos principais conhecer o perfil do produtor rural, seus hábitos de compra, inclusive de insumos e equipamentos e também seu relacionamento com a mídia.

O público alvo foi composto por homens e mulheres que decidem o que comprar e usar na propriedade rural. A amostra teve 2090 agricultores e 717 pecuaristas (distribuídos nos 15 principais estados produtores) que responderam pessoalmente e “in loco” a um questionário com 212 perguntas.

Segundo a ABMRA, o nível de confiabilidade dos dados é de 90%. A última pesquisa realizada pela Instituição foi em 2013, sete anos depois do Censo anterior e quatro anos atrás, de modo que o resultado é instigante.

Para começar, duas informações valiosas: a primeira é que a idade média dos produtores rurais entrevistados é 46,5 anos, ou 3,1% menor do que a pesquisa anterior, embora 4 anos tenham passado.

Uma nova geração vem assumindo responsabilidades na gestão do campo, há um processo de sucessão em andamento. E a segunda é que as mulheres já participam da gerência de quase um terço das fazendas visitadas e, mais ainda, embora 96% dos entrevistados sejam homens, 81% de todos consideram essa participação como “vital ou muito importante”!

São proprietários 72% dos entrevistados, 81% deles não exercem nenhuma outra atividade e 18% tem curso superior, com ampla vantagem para a engenharia agronômica.

Outra surpresa: em 2013, 43% dos entrevistados tinham a única residência no campo; agora são 56%. Em 2013, 30% deles tinham 2 casas, uma na cidade e outra no campo, e agora só 19%.

Sobre os meios de comunicação usados, a prevalência da TV aberta é enorme: 92% dos entrevistados têm este equipamento. Mas 75% usam rádio, 42% estão conectados via internet, e apenas 30% leem jornais.

Este número interessa muito às cooperativas e empresas fornecedoras de insumos e equipamentos aos produtores. Mais uma informação relevante: 29% assinam revistas (não exclusivamente setoriais), são 96% os que possuem celular. Uma última curiosidade: 96% dos entrevistados usam WhatsApp, 67% o Facebook, 24% o YouTube, 8% o Instagram e apenas 5% tem Skype.

É evidente que mudanças estão acontecendo no campo, profunda e rapidamente. Mas estes dados da ABMRA são um delicioso aperitivo para o que será revelado no Censo Agropecuário em andamento. É esperar para ver.