Deficiência logística gera prejuízos no setor agropecuário

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O Brasil é um país agrícola por vocação. Notícias de recordes de safras na produção de soja, cana e milho, por exemplo, são frequentes.

Para o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, porém, os resultados poderiam ser ainda melhores se não fosse a deficiência logística.

Para o especialista, a deficiência logística é um dos maiores gargalos da renda no setor agropecuário.

“Até os anos 70, a agricultura brasileira era costeira – no máximo, a 500 km dos portos. De lá para cá, com a abertura do Cerrado, avançamos muito com uma agricultura moderníssima. Mas, enquanto a agricultura foi para lá, as estradas não foram, as ferrovias não foram, e ficamos com este problema sério”, reforça o colunista do RVTV.

Para Roberto Rodrigues, resultados no agro poderiam ser melhores, se não fosse a deficiência logística. (Foto: Reprodução)
Para Roberto Rodrigues, resultados no agro poderiam ser melhores, se não fosse a deficiência logística. (Foto: Reprodução)

Com isso, na visão de Roberto Rodrigues, o produtor rural perde eficiência competitiva. “Um saco de milho que sai de Sorriso (MT) para chegar em Paranaguá (PR), por exemplo, custa o mesmo valor do frete”.

Contudo, Roberto Rodrigues ressalta que a agricultura brasileira é excelente. “Na fazenda brasileira, nós, agricultores, somos compatíveis com qualquer país do mundo. Não temos medo de ninguém. Mas quando sai da fazenda, começa a perder competitividade”.

Plano de logística

Além da deficiência logística, a demanda de encargos também é um dos fatores que prejudica o escoamento da produção agrícola, segundo ele.

Por isso, o especialista orienta a observar os candidatos à presidência da República. “Nós oferecemos a todos os candidatos à presidência um programa de logística claro, que contempla o volume de produtos a serem transportados – seja o insumo que vai para o campo, ou o produto que vai para o porto ou centro de consumo”, explica.

Esta é, para Roberto Rodrigues, a variável que precisa ser olhada com atenção pelos agricultores brasileiros – o volume de carga transportado.

Parcerias

Outra solução que Roberto Rodrigues sugere para sanar a deficiência logística são as Parceiras Público-Privadas (PPPs).

“O governo brasileiro não tem dinheiro para investir em estrada e infraestrutura, então precisamos ter um programa logístico adequado, com investidores de fora”.

Roberto Rodrigues lembra, no entanto, que é preciso oferecer segurança jurídica aos possíveis investidores, com “estabilidade e a garantia na política pública, para que ele invista sem erro de perder o dinheiro, como vem acontecendo”.

“Assim, em pouco tempo teremos o Brasil, de novo, como campeão da segurança alimentar”, finaliza.

Roberto Rodrigues foi ministro da Agricultura entre 2003 e 2006. É engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Atual Coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Titular da Cátedra de Agronegócios da ESALQ. Também é colaborador e colunista do RVTV.